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Opinião

O BRASIL que queremos

 

As denúncias de atos de corrupção envolvendo a Assembleia Legislativa do Paraná serão tema de um protesto que integra a campanha "O Paraná que Queremos". O ato será realizado no dia de hoje (08) em Curitiba e em várias outras cidades do interior do Estado. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, participará do ato a partir das 18h, em Curitiba, na Boca Maldita, região central da cidade. A iniciativa, liderada pela Seccional paraense da OAB com o mote "a defesa da moralidade e transparência", contará com a presença do presidente da OAB-PR, José Lúcio Glomb, e de várias autoridades locais.

Os participantes vão manifestar seu repúdio às denúncias de contratação de funcionários fantasmas para desviar dinheiro da Assembleia Legislativa do Paraná. A entidade pede o afastamento da Mesa Diretora. Investigação do Ministério Público do Paraná aponta que, até agora, já foram descobertos R$ 26 milhões em desvios de recursos públicos. Além disso, sindicância responsabilizou o ex-diretor-geral, Abib Miguel, pelo comando do esquema.

Várias Subseções da OAB do Paraná, em conjunto com entidades de classe, associações comerciais e sindicatos, farão hoje, simultaneamente ao ato de Curitiba, manifestações públicas contra a corrupção e a impunidade. Em Ponta Grossa, o ato público acontece no Terminal de Ônibus Parque Ambiental. Em Pato Branco, a mobilização será no Plenário da Câmara, no centro da cidade. Em Londrina, o ato público será realizado no Calçadão (Avenida Paraná, esquina com rua Professor João Cândido). Em Cascavel, a população vai se reunir no calçadão. Em Foz do Iguaçu, será realizada uma passeata na Avenida Brasil, com a participação de trabalhadores, empresários, estudantes e representantes de diversas entidades. Em Guarapuava, os manifestantes promoverão uma caminhada cívica e em Maringá, um ato público.


Curitiba (PR), 08/06/2010 - O artigo "O Paraná que queremos" é de autoria do presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná, José Lucio Glomb, e foi publicado na edição de hoje do jornal Gazeta do Povo:

"Após a queda de Robespierre, em 1795, a França passou a ser dirigida por um grupo de políticos reunidos no que se chamou de Diretório. Não foi preciso muito tempo para que seus críticos dissessem que o Diretório havia desrespeitado a soberania do povo, transformando o direito de votar e ser votado num privilégio de certas castas. Que havia sido instalado um poder fora do controle popular. Recordei-me disso e dos ideais para a verdadeira democracia ao analisar a situação da Assembleia Legislativa do Paraná. Também ali se instalou um diretório, sob a complacência da Mesa Executiva. É importante salientar que sendo a democracia o melhor de todos os regimes, o qual juramos defender, muitas vezes ela encontra dificuldades em se proteger de si própria. Elegemos nossos representantes livremente, pelo voto, mas alguns, quando no poder, não cumprem os compromissos e anseios daqueles que os elegeram.

Há um estranho distanciamento entre a Assembleia Legislativa e a sociedade civil. São baixíssimos os índices de confiança da população nos seus representantes. Alguns deputados passam a impressão de viver em um planeta distante, desobrigados de prestar contas, imaginando que mudanças cosméticas, de fachada, serão suficientes para tranquilizar seus eleitores. Tal situação afronta os princípios constitucionais da moralidade, da legalidade e da eficiência preconizados no artigo 37 da Constituição Federal. Embora à boca pequena corressem os boatos sobre o que se passava nos bastidores da Casa, não fossem as reportagens da Gazeta do Povo e da RPC TV eles não teriam vindo à tona.
À pronta manifestação da OAB/PR e à efetiva ação do Ministério Público vieram as adesões de milhares de instituições, empresas e cidadãos indignados com os desvios, os funcionários fantasmas, a inexistência de registros, de controles, os diários secretos, as edições avulsas, representando modalidades diversas e imaginativas para a apropriação de recursos dos contribuintes. É a afirmação do Ministério Público, ao solicitar o bloqueio de bens de funcionários e de integrantes da mesa.

 
Enquanto as ações de investigação se desenvolvem, a Mesa mantém postura arrogante e insensível, desdenhando do apelo popular. Tal qual a velha corte francesa, durante a Queda da Bastilha. Tal qual a corte brasileira, valsando na Ilha Fiscal. Os componentes da Mesa alegam inocência, com o singular argumento de que jamais assinaram cheques, esquecendo que os atos formais da Casa trazem por exigência legal a assinatura do diretor-presidente e do secretário-geral. Como sustentar, então, que de nada sabiam? Neste momento é preciso que se afastem, se não por outra razão, ao menos por questão ética. Entre seus colegas, alguns já defendem a renúncia da Mesa. Os senadores do Paraná são unânimes e entre os deputados federais cresce a adesão pelo afastamento. A saída torna-se fundamental para o andamento das investigações e para a recuperação da credibilidade do legislativo paranaense, indispensável para legitimar a instituição. E em respeito aos bons deputados que lá cumprem seu dever sim, eles existem e que não podem ser crucificados pelo erro de alguns. Falta aos mandatários da Assembleia Legislativa legitimidade, perdida em meio aos escândalos.


Se precisamos de uma reforma política, e ela se reveste de urgência urgentíssima, podemos começar a exigi-la nas eleições de outubro próximo. É preciso que nossos novos representantes sejam porta-vozes do modelo de estado que pleiteamos, no qual a justiça social seja tão importante quanto a honestidade de propósitos e de ações dos nossos representantes. A receita é votar com a razão, analisando currículos, conhecendo o passado e as promessas de cada candidato. Não há melhor maneira de exercermos o direito de construir um país melhor para todos.


O clamor das ruas aumenta em grande proporção, exigindo uma reflexão daqueles que estão à frente do Legislativo paranaense. Hoje seremos milhares na Boca Maldita. Como é da natureza de nosso povo, pacificamente. Não levaremos mais que a nossa voz, porque não existe nada mais ensurdecedor que a voz da indignação. A exigência que fazem todos os segmentos da sociedade paranaense haverá de ser ouvida. Um novo Paraná começa a despertar: ético, de gente trabalhadora, honesta, transparente, digna. Ele sempre existiu. Agora mobiliza-se. Um Paraná que servirá de exemplo ao País. É esse o Paraná que queremos! Curitiba, 08/06/2010 - A manifestação do movimento "O Paraná que Queremos" , que acontece neste momento em Curitiba e outras 12 cidades do estado será decisiva para a implantação de mudanças na Assembleia Legislativa do Paraná e representa um novo grito de independência O Paraná dá exemplo de cidadania, de luta pela ética e de engajamento de todos os setores da população por uma sociedade melhor. Esse movimento terá repercussão. O grito de dos paranaenses será ouvido no Brasil, que clama por sua independência ética.


O movimento conta com a adesão de 400 empresas e entidades da sociedade civil e cerca de 20 mil pessoas. O movimento é motivado pela série de reportagens Diários Secretos, da Gazeta do Povo e da RPCTV, que denunciou um esquema de desvio de recursos públicos da Assembleia que, segundo estimativa do Ministério Público Estadual, pode ultrapassar R$ 100 milhões. Durante a manifestação, que em Curitiba ocorre na Boca Maldita, vai ser apresentada uma pauta de reivindicações que inclui a aprovação do projeto da Lei da Transparência, a realização de concurso público para o preenchimento dos cargos do órgão e de uma auditoria externa de sua estrutura do funcionalismo e a fixação de mandatos para as funções de direção.


O movimento "o Paraná que queremos", realizado na Boca Maldita, tradicional local de protesto no centro da cidade, e liderado pela Seccional da OAB no Paraná, cobrou hoje (08), durante ato contra casos de corrupção envolvendo a Assembléia Legislativa no Estado, respeito por parte dos detentores de mandatos eletivos e cargos públicos aos princípios constitucionais da moralidade, da transparência e da publicidade. "Que este grito do Paraná contra a corrupção ecoe bem alto e seja ouvido em todo o Brasil, servindo de exemplo para que o país inteiro também grite por sua independência ética na política", enfatizou presidente nacional da OAB ao participar do ato do movimento. O presidente nacional da OAB advertiu em sua fala que o mandato ou cargo público não pode ser utilizado para beneficio próprio, nem em favor de cabos eleitorais ou familiares de seus detentores, destacando que a Constituição estabelece que o poder deve ser exercido em nome do povo. "E isto significa que todos aqueles que são detentores de mandatos ou ocupam cargos públicos devem prestar contas de seus atos. Essas pessoas apenas têm ou detém a posse dos cargos; mas a propriedade deles é da sociedade,  é do eleitor.  Não pode haver democracia sem que haja uma administração pública que respeite os princípios da moralidade, da transparência, da publicidade".


Principais trechos do pronunciamento do presidente nacional da OAB na Boca Maldita, no ato "o Paraná que queremos": "Na condição de presidente da OAB Nacional fico extremamente feliz de poder vir ao Paraná e contribuir para esta importante causa; uma causa que é não só do povo paranaense, mas de toda a sociedade brasileira. O combate à corrupção e à impunidade tornou-se uma luta de toda a sociedade brasileira. O Paraná hoje dá um exemplo para todo o Brasil de cidadania,  de  luta pela ética e, sobretudo, de engajamento de todas as forças da sociedade no sentido de construir uma sociedade melhor. Nós estamos vivendo momentos importantes aqui neste Estado e esses momentos terão repercussão no Brasil inteiro. O grito do Paraná contra a corrupção ecoe bem alto e seja ouvido em todo o Brasil. Que este grito sirva de exemplo para que todo o Brasil também grite por sua independência ética na política. Esta é a bandeira que a Ordem dos Advogados do Brasil em nossa gestão e que o presidente José Lucio Glomb, da OAB aqui no Paraná, muito bem representa este sentimento. Nós vemos essa situação dos desvios no Poder Legislativo do Paraná com muita preocupação, obviamente. O poder deve ser exercido em nome do povo. E isto significa o quê? Significa que todos aqueles que são detentores de mandatos ou ocupam cargos públicos devem prestar contas de seus atos. Essas pessoas apenas têm ou detém a posse dos cargos; a propriedade é da sociedade,  é do eleitor.  Não pode haver democracia sem que haja uma administração pública que respeite os princípios da moralidade, da transparência, da publicidade. E por que isso? Porque o dinheiro que mantem todo esse sistema é recolhido do suor e do trabalho da população, que enfrenta muitas dificuldades para pagar altas taxas tributárias neste País. Ou seja, a manutenção desse sistema custa muito caro para todos nós e, portanto, aquele que estão no exercício dos mandatos,  ocupando os cargos públicos, têm o dever de prestar contas, de dar transparência total aos seus atos, e não fazer do mandato uma extensão de seus interesses pessoais; o mandato é público e não pode ser utilizado para beneficiar a si próprio, à sua família, aos cabos eleitorais ou a quem quer que seja. É por isso que a Ordem vê esse quadro no Paraná e no Brasil com muita preocupação, mas, ao mesmo tempo, com muito otimismo esse movimento. Afinal, este é um movimento por meio do qual a sociedade volta às ruas para dizer: ‘basta de corrupção, basta de impunidade, nós queremos uma sociedade melhor'. Portanto, ao lado da preocupação, há esse lado do otimismo ante a perspectiva de se respirar tempos novos, em que a pauta passe a ser ditada pela sociedade e não por alguns poucos que acham que o voto é capaz de limpar a corrupção. Por isso, a aprovação do projeto Ficha Limpa; por isso, essa proposta de uma legislação de transparência aqui no Paraná. Tudo isso demonstra que o voto legitima - mas legitima para o mandato, mas se este for exercido de uma forma equivocada, contrária à Lei e à Constituição, nada mais justo que aquele que votou poder ver essa pessoa que não exerceu com dignidade o mandato sair do poder".

Brasília, 08/06/2010 - As denúncias de atos de corrupção envolvendo a Assembleia Legislativa do Paraná serão tema de um protesto que integra a campanha "O Paraná que Queremos". O ato será realizado no dia de hoje (08) em Curitiba e em várias outras cidades do interior do Estado. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, participará do ato a partir das 18h, em Curitiba, na Boca Maldita, região central da cidade. A iniciativa, liderada pela Seccional paraense da OAB com o mote "a defesa da moralidade e transparência", contará com a presença do presidente da OAB-PR, José Lúcio Glomb, e de várias autoridades locais. Os participantes vão manifestar seu repúdio às denúncias de contratação de funcionários fantasmas para desviar dinheiro da Assembleia Legislativa do Paraná. A entidade pede o afastamento da Mesa Diretora. Investigação do Ministério Público do Paraná aponta que, até agora, já foram descobertos R$ 26 milhões em desvios de recursos públicos. Além disso, sindicância responsabilizou o ex-diretor-geral, Abib Miguel, pelo comando do esquema.


Várias Subseções da OAB do Paraná, em conjunto com entidades de classe, associações comerciais e sindicatos, farão hoje, simultaneamente ao ato de Curitiba, manifestações públicas contra a corrupção e a impunidade. Em Ponta Grossa, o ato público acontece no Terminal de Ônibus Parque Ambiental. Em Pato Branco, a mobilização será no Plenário da Câmara, no centro da cidade. Em Londrina, o ato público será realizado no Calçadão (Avenida Paraná, esquina com rua Professor João Cândido). Em Cascavel, a população vai se reunir no calçadão. Em Foz do Iguaçu, será realizada uma passeata na Avenida Brasil, com a participação de trabalhadores, empresários, estudantes e representantes de diversas entidades. Em Guarapuava, os manifestantes promoverão uma caminhada cívica e em Maringá, um ato público.

Brasília,

08/06/2010

Advogado Fernando Fragoso toma posse na presidência do IAB

O advogado Fernando Fragoso toma posse na presidência do IAB

Instituto dos Advogados Brasileiros na última sexta-feira, 14/5. discurso de posse na íntegra

 INSTITUTO DOS ADVOGADOS BRASILEIROS

Presidente FERNANDO FRAGOSO14 de maio de 2010 

Vivemos nesta bela noite a solenidade de transferência de comando damais antiga e tradicional entidade da advocacia brasileira, cerimôniaque resulta da mais salutar reafirmação do princípio democrático daalternância no poder. É consequente a uma disputa eleitoral ampla,livre, que contou com a participação maciça de inédita quantidade demembros efetivos, em todo o país, os quais, por significativa eeloqüente maioria, estão a exigir da nova diretoria a consecução docompromisso de avanço construtivo e restaurador. Agradeço, em nome de meus queridos parceiros agora empossados, aconfiança que nos depositam os membros do Instituto, que, de nós,esperam a renovação da Casa fundada em 1843 e cujo primeiro presidentefoi Francisco Gê Acaiaba de Montezuma. Daí porque denominamos oInstituto dos Advogados Brasileiros de Casa de Montezuma. Proclamados os resultados, ao cabo daquela natural conflagração deideias e propostas, está encerrada a disputa e aqui nos encontramospara dizer à Nação que somos uma indissolúvel união de advogados.Todos nós – não mais considerados vencidos ou vencedores – estaremosmovidos, intransigentemente, pelo ânimo de realizar o estudo doDireito, difundir o conhecimento jurídico, trabalhar pela realizaçãoda justiça social, pela preservação dos direitos humanos e do EstadoDemocrático de Direito. Instituto e Ordem dos Advogados têm história em comum. O primeiro foifundado tendo como objetivo principal a futura criação da segunda. Aolongo de décadas, tem sido harmônico o relacionamento entre estasentidades, cada qual trilhando seu caminho e levando adiante seusobjetivos estatutários e legais. São, no entanto, órgãosindependentes, que se devem absoluto respeito.Seria indébita a interferência de uma em questões internas de outra.Por seus próprios e gloriosos passados, as duas instituições devem-semútuo auxilio que transcende as vontades pessoais de seus dirigentes.

Conclamo, por conseguinte, o universo de membros do Instituto aotrabalho comum, assim entendido como exercício concreto do dever, queo grau de bacharel em Direito nos impõe, de buscar o aperfeiçoamentoda ordem jurídica em nosso país. Precisamos recuperar, em suaplenitude, o espaço e o acatamento que nossa centenária instituiçãoocupava e merecia na cena jurídica.E, para isto, mister que nossas portas estejam abertas para amanifestação e a produção intelectual de variada origem, sempreconceitos doutrinários, filosóficos ou políticos. Uma Casa que estará sempre totalmente franqueada ao debate sério, semsectarismo, sem compromissos com interesses ideológicos e disputaspolítico-partidárias. A advocacia exige competência e independência,para o exercício reto de seus compromissos com a sociedade civil, nãoimporta quem se encontre no exercício dos poderes da Republica. Nas suas manifestações, deve o advogado ser inteiramente livre, parapoder ser completamente escravo do dever profissional. O único juiz desua conduta há de ser a própria consciência. Desta forma, éinadmissível que os órgãos que nos congregam atuem em dissonância comesta exigência. A independência do Instituto dos Advogados Brasileiros é indispensávelao efetivo exercício de nossos objetivos acadêmicos e constitui omarco da reconquista de estreito relacionamento com o CongressoNacional e com a comunidade jurídica, a ser fixado em bases deexcelência, tecnicamente sólidas e construtivas.

O IAB há de retomar olugar que historicamente ocupou, de efetivo contribuinte da produçãolegislativa, tanto que reúne o melhor patrimônio da cultura jurídicade nosso país. Seja pela qualidade intelectual de nossos associados,seja pelo excepcional acervo de nossa preciosa biblioteca. Enorme será o esforço deste compromisso. O desafio que se apresentapara a diretoria está na recuperação da participação do corpo deassociados, restaurando-lhes a antiga fibra para o trabalho cultural. Meus caros colegas: não basta escolher aquela que lhes pareça ser amelhor proposta para os órgãos diretivos de nossa entidade, senão quehaja, no voto, adicionalmente, o comprometimento com o desenvolvimentodo Instituto. Plenário e Comissões haverão de reforçar suas tradicionais atividades,recuperando vida plena! Nossos associados esperam que rompamos astradições de prorrogação de nomeações. Queremos todos na atividade,notadamente o retorno de muitos valorosos colegas que, ao longo dotempo, foram nos deixando. Animem-se! Animem-se, porque eu e meus diretores estamos plenos desteânimo e repletos de esperanças.Queremos ampliar fartamente o quadro de membros, pois não temosatraído, na quantidade desejável, a excepcional geração de mestres edoutores, que as faculdades de Direito do país têm laureado. O saudoso amigo, presidente Paulo Eduardo de Araújo Saboya, honrou-meno inicio de seu mandato com o convite para tomar as rédeas daComissão Permanente de Direito Penal. E foi uma experiência formidávelporque conseguimos reunir jovens penalistas, advogados militantes,magistrados, defensores públicos, professores, e inscrevê-los no IAB.Aqui, unidos a antigos membros, realizamos, sem modéstia, um dosmelhores trabalhos da história desta Casa, elaborando, em reuniõesquase semanais, durante vários meses, um parecer completo e acabado,já remetido ao Senado Federal, com sugestões e críticas, ao vastoprojeto de Código de Processo Penal. Se conseguirmos desenvolver idêntica atração para reacender cada umade nossas Comissões Permanentes, aí teremos pavimentado o caminho derecomposição plena da produção intelectual que almejamos. Iremos interagir com as Universidades.

 Apresentar nosso Instituto aosestudantes, realizando projetos comuns com as direções das faculdadesde direito. Posso adiantar que já iniciamos contatos com diretores eprofessores, alguns dos quais integrantes do IAB,todavia nunca chamados a este padrão de parceria. De todos ouvientusiasmada receptividade e promessa de intercâmbios. É nosso firme propósito manter com a Ordem dos Advogados o maisestreito relacionamento, em todos os níveis, oferecendo propostas detrabalho comum, como, por exemplo, com as Escolas Superiores deAdvocacia e nos disponibilizando para atividades no campo cultural eno campo institucional, no interesse da classe e da sociedade. Estimo e aspiro, na nossa administração, uma atividade real, concreta,de dentro para fora e permitindo o mais amplo vínculo com entidades dasociedade civil e segmentos culturais para adequada produção conjuntade trabalhos interdisciplinares. Sairemos ao encontro destasentidades, propondo e aderindo a seminários, debates, mesas redondas. Os recursos da informática, cuja base técnica já está bem avançada porobra excelente das diretorias antecedentes, precisarão ser utilizadosnão só como órgão de divulgação de nossas atividades, masespecialmente para colher iniciativas e sugestões de nossosassociados, estudantes, professores e dos variados operadores daciência jurídica. Aqui e em outros Estados da Federação. Nossasreuniões e palestras podem ser, via internet, levadas a um universo depessoas. Assim como importadas as participações externas para completacirculação da informação e da cultura. E, assim, creio, imprimiremosvisibilidade satisfatória, de modo a estimular o melhor e mais amplodebate no ambiente científico. Tantos e tão importantes temas de interesse nacional estão a demandara atenção e a atividade dos juristas.

De pronto, cabe citar reformasna legislação tributária, na legislação trabalhista e sindical. Areestruturação do Estado é tema urgente e já tarda. Há nítidasevidências de que a desordem nestes setores emperra a vida nacional eretarda o desenvolvimento do país. É grave a preocupação com as atuais propostas de alteração das regrasnos procedimentos judiciais, que visam abortar os recursos, impedindoo acesso às instâncias superiores, com a imposição de requisitos cadavez mais inatingíveis ao recorrente.Os tribunais adotaram como defesa, para sua morosidade e reclamadaeficiência, a inculpação da advocacia como obstáculo à realização dejustiça rápida. É preciso que se dê resposta a esta injusta acusação.Não podemos aceitar a imputação, quando está claro que o Judiciárioprecisa adequar-se, a cada instante, às novas demandas da sociedade,ao invés de profligar por diminuição de recursos, como meio dedesafogar seus serviços, causando, aí sim, obstáculo à garantiaconstitucional de exercício da cidadania. Não culpem os advogados pelas mazelas da Justiça. Não queiram limitar,como pretende o legislador, a abrangência do habeas corpus. Nãoqueiram flexibilizar o tratamento das nulidades que se verifiquem naprodução da prova e na condução dos processos. Não se permita que ainvestigação sobre uma pessoa seja iniciada pela violação às garantiasconstitucionais de sigilo de comunicações, e das informações pessoaisdo pretenso suspeito. Esperamos que cessem os procedimentos sigilosos, que relembram asinvestigações administrativas da execrável Comissão Geral deInvestigação, criada nos negros tempos da ditadura militar. Hojeexistem, tendo curso freqüente e incompreensivelmente numeroso,medidas cautelares postas em Juízo, desconhecidas do investigado e dopróprio advogado que pretenda identifica-las. Delas se dá noticia,apenas, depois do objetivo consumado. E não raro após o decurso devários meses. Anote-se que a ditadura não ousou utilizar o aparelhojudiciário para autorizações de investigações secretas. As reformas reclamadas não podem estreitar os caminhos para oJudiciário e muito menos o exercício da mais ampla defesa, com todosos meios a ela inerentes.

Desde a Carta de João Sem Terra, o processoé a principal arma dos oprimidos contra os opressores. As reformasdevem ter em mira o atendimento ao jurisdicionado e não o esvaziamentodos trabalhos dos Tribunais.Desta nossa Casa de Cultura haverá voz permanente e altiva, fiel àssuas melhores tradições e a seus deveres para com a Nação. Não somosservidores da legalidade vigente, pois isto nos transformaria emservos do poder. Nosso compromisso é com o aprimoramento da ordemlegal vigente, o que nos põe em luta constante contra o arbítrio, aprepotência e a tirania. Nosso compromisso é com o Estado de Direito e com o império da lei.Ela impõe a independência do Legislativo e do Judiciário, bem como apreservação da dignidade humana como valor supremo, assegurando-se osubstrato moral das leis. Nosso compromisso, senhores, é com um sistema de legalidadedemocrática, que corresponde à nossa vocação libertária!Como dizia Edmond Picard, nossa profissão é o ideal de uma vida ativa,nobre e independente, inspirada por mentalidade crítica e combativa.E, sobretudo, pelos ideais do direito e da justiça, sem os quais osadvogados se transformam em homens de negócios. Por isto mesmo seexalta, como qualidade marcante do advogado, a coragem, junto aosgrandes ideais da profissão, a integridade, a competência e adedicação ao serviço dos outros. Frequentemente se exige, como parte integrante do ministério dosadvogados, a “noble véhémence” e a “sainte hardiesse”, a nobreveemência e a santa ousadia, de que falava Séguier. Exercemos os advogados uma doce e amarga profissão, como gostava dedizer o saudoso criminalista Serrano Neves, que tanto honrou a tribunada defesa nos fóruns deste Estado.

 É doce quando temos consciência deconcorrer para a realização da justiça, mesmo quando a sentença nos édesfavorável. E é amarga quando perdemos as causas imperdíveis, quandoestamos certamente com o direito e não convencemos o julgador. Ouquando o processo já está previamente julgado e decidido, sendo ojulgamento apenas um jogo de cartas marcadas. É amarga esta profissão ainda quando o advogado é indevidamenteconfundido com o seu cliente, e não raramente com ele açoitado porcerta parcela da mídia, que se atribui poder judicante, pretendendoexercer indébita pressão sobre a magistratura. Não toleramosjulgamentos pela mídia e estaremos lado a lado com a Ordem dosAdvogados na defesa da advocacia. Agradeço, em nome dos antigos e novos dirigentes do Instituto dosAdvogados Brasileiros, a prestigiosa presença de todos, certos de quenos enchem de alegria e estímulo. Guardarei na minha memória esta noite impecável, com os sentimentos ea ternura que me inspiram os meus familiares, amigos e colegas, porqueme fazem muito feliz por te-los junto a mim. Sinto-me no auge de minhacarreira, e contando a idade com que, há exatos 25 anos, faleceu meupai, que foi membro do Conselho Superior deste Instituto. Gostaria, por fim, de dizer que, ao final desta noite, ao me deitar,estou certo de que ouvirei a fala, comovida, deste pai, exemplopermanente da batalha diária em que se constitui nossa vida deadvogados, e de fé na justiça e na democracia. Muito obrigado!

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